Nada x Qualquer Coisa = Nada

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Numa segunda do mês passado, não consegui me conter e comecei a rir muito, quase que de maneira incontrolável depois de ler o texto “Até os orixás Estão de Saco Cheio” do filósofo Luis Felipe Pondé publicado na Folha de São Paulo.

Selecionei um trecho do texto só para vocês acompanharem o que ele escreveu:

“Numa gira (evento em que entidades da umbanda atendem pessoas em suas agonias cotidianas), um Caboclo (caboclos são da linhagem de Oxóssi) de grande experiência em atendimento (cujo “cavalo” é um pai de santo de enorme sucesso no ramo) se aborreceu profundamente com as demandas de seus “clientes” ali presentes.

A irritação do Caboclo (eu sei o nome dele, mas não quero expô-lo aqui) foi com as “conversinhas” de seus clientes ali presentes. Segundo o Caboclo, todo mundo só queria falar com ele sobre “bobagens mesquinhas”. E ele, vindo de “tão longe”, perdera a paciência para atender pessoas tão bobas. Para nosso Caboclo, o irritante era a “infantilidade” das pessoas ali presentes.”

Bom, o importante aqui não é sobre qual religião ou onde aconteceu isso, pois eu pessoalmente não sou dessa religião e nem faço ideia de como é o local de onde aconteceu isso.

O que me chama muita atenção é que o assunto e o contexto são muito reais e atuais nos dias de hoje!

 

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Isso mesmo! Eu gostaria de escrever exatamente sobre essas “conversinhas”, “bobagens mesquinhas”, “infantilidade”, etc. que o autor colocou no seu texto.

Eu pessoalmente, venho percebendo cada vez mais quantidade de pessoas ou falando, ou discutindo, ou se debatendo sobre amenidades, “mesquinhas” e coisas bobinhas do dia-a-dia.

O problema não está em falar sobre essas amenidades, o que seria impossível! O problema começa quando as pessoas  colocam essas amenidades como prioridade, ou seja, quando começam a considerá-las como parte mais importantes da vida delas!

Quando isso acontece, há uma inversão de valores. Por exemplo, é de bom senso que comemos para vivermos e não ao contrário – vivemos somente para comer e comer!

Por isso para mim, muitas dessas amenidades são apenas mais e mais reprodução sobre “nada”! E o nada em si não leva a nada e nem ninguém para lugar algum!

Vou dar alguns exemplos de “conversinhas” abaixo:

– Você viu o que o fulano disse quando fez aquilo, como pode?

(Isso porque ouviu de outra pessoa ou leu de algum site sensacionalista – nem sabe se foi verdade);

– Eu não sou nenhum santo, mas XXX é muito pior do que eu. Ele só não faz isso e aquilo na frente de vocês e ainda ri de vocês e vocês só enchem meu saco!?

(A pessoa simplesmente não quer responder pelo algo errado que fez, mas pode acusar outros de erros. Acha que acusando outros para desviar o assunto – só que isso não o livra de responder sobre o que fez de errado);

– YYY disse que prefere comida japonesa a comida chinesa.

(Quem: um ex-BBB, um aspirante a ator, uma socialite ou coisa parecida. Razão: porque YYY é japonês);

– Fazer exercícios faz bem para saúde de uma pessoa  como ter uma dieta equilibrada ajuda a saúde.

(Todos devem fazer exercícios mas que tipo de exercícios, qualquer um? Uma dieta equilibrada quer dizer exatamente o quê? Dieta de baixa caloria? Para todos, sem exceção?);

– Sabe aquele vizinho nosso de muito tempo atrás? Ele fez isso ou aconteceu algo com ele;

(geralmente é um vizinho que você não se lembra e muitas vezes nem conheceu direito e ele fez coisas que qualquer um faria ou aconteceu nada extraordinárias com ele)

– Ah, eu tinha o mesmo problema que você ou a minha vizinha tinha também o mesmo problema. Eu não se é verdade mas ela fez isso e aquilo para resolver o problema.

(Tudo para entrar numa conversa para gerar mais da mesmo: falar ou discutir mais sobre aquilo que já estão falando ou discutindo. Pior é que é tudo hipótese, nada concreto);

São conversas típicos de puxadas de assuntos que realmente não interessam a ninguém…

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E é isso que vemos acontecendo na vida das pessoas no mundo de hoje. Mas isso não acontece  mais somente no cotidiano das pessoas porque as pessoas estão levando até isso rapidamente para o mundo virtual sem perceber.

E cada vez mais isso acontece na internet! As pessoas se acusam e se defendem “anonimamente”, se escondendo atrás de um perfil (verdadeiro ou falso). Ninguém mais discute (com argumentos), as pessoas querem apenas acusar, brigar e até insultar outros, baseado no o que cada um “acha”.

Outros partem para lado mais light e cômico como desrespeitando, tirando sarro, ironizando ou debochando os outros, mas a finalidade é sempre a mesma: falar sem se refletir e ainda quer impôr sua ideia sobre outros no grito!

Bom, quando uma discussão (com argumentos sem menosprezar o outro lado) é sempre deixada de lado e partem apenas para confronto, intimidação ou desrespeito – nada de bom pode sair disso! Ou melhor, nada sai do nada!

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Mas existe outros tipos de amenidades acontecendo, digamos que, de maneira mais imperceptíveis – não tão escancaradas ou escandalosas.

São aquelas amenidades que falamos no dia a dia que até tornam a vida mais gostosa (como moda, esporte, política, culinária – ou seja, entretenimentos em geral), mas que em excesso podem causar uma confiança cega (de que sempre está certo) e que termina sempre em discussões com outros que não estão de acordo.

Discussões bobas e sem propósito, ou seja, discussões em cima de discussões só causam atritos e desavenças. E as discussões só pioram e desgastam mais ainda ambos os lados quando isso acontece com uma constância e / ou por um período longo.

Quando a conexão ou a confiança não é estabelecida entre as partes, muitas vezes um lado começa a querer ensinar (porque se acha que sabe mais que outro) e o outro lado simplesmente não quer escutar (porque também se acha que sabe mais que outro).

E o que acontece quando há uma conexão e confiança entre ambos os lados? Quando isso acontece significa que há uma falta de sinergia acontecendo de maneira positiva. Isso geralmente acontece mais por falta de humildade ou semancol de um lado e excesso de confiança (soberba) de outro.

Esse tipo de relacionamento da falta de confiança geralmente parte depois para cobranças e retruques de ambos os lado que na maioria das vezes termina em acusações  e repreensões mútuas e até um rompimento traumático para ambos os lados.

E acho que aqui é uma dessa horas onde se iniciam aquelas “conversinhas”,”bobagens” e “mimimi” que o Pondé colocou no seu texto. Para evitar possíveis desgastes ou atritos, algumas pessoas começam a falar sem pensar muito e sem parar.

Essas pessoas são “experts” em dizer coisas agradáveis, genéricas e fáceis para permanecer sempre simpáticas! Elas evitam ao máximo possível qualquer enfrentamento ou porque são despreparadas para lidar com essas situações ou porque querem evitar de qualquer maneira certas situações.

Essas pessoas costumam usar frases similares conforme abaixo, geralmente exageram demais naquilo que querem expressar para desviar sua atenção:

– Você é “sim-ples-men-te ma-ra-vi-lho-so”, com certeza você “merece” usufruir o que você conseguiu “batalhar” até hoje;

– Aquela lá é um genro “modelo” para “todos” os homens do “Brasil”;

– Você é “tão” bonzinho, seus pais devem sentir “muito” orgulho de você;

– O cabelo da Gisele é “simplesmente” maravilhoso – “tudo” de bom mesmo!

– Você é “tão” capacitado e inteligente para estudos ou trabalho, “com certeza” você vai vencer na “vida”;

 

Agora imaginem uma discussão calorosa sobre cada frase acima?  O fulano falando mais do mesmo, o beltrano criticando o fulano por ter falado mais do mesmo e o sicrano querendo ensinar o fulano e o beltrano achando que ambos estão errados e só ele está certo!

Nossa! Que horror isso!

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Mas é o que mais acontece hoje em dia!

Muitas vezes, as pessoas na tentativa de disfarçar sua ignorância ou desinformação sobre certo assunto simplesmente começam a falar sem parar sobre amenidades ou mimimi (ou seja nada). Geralmente fazem isso para desviar do assunto sério ou para disfarçar e confundir outros.

E quando fazem isso precisam trazer o assunto para algo mais leve que não exigem tanto formalismo ou conhecimento, por isso “amenidades” são perfeitos para essas horas! Elas estão no lado extremo da ciência, não exigem nenhum preparo ou conhecimento, basta falar o que cada um acha e a conversa pode ir longe.

Por isso, as pessoas falam bem ou mal, criticam e discutem no facebook, acusam-se mas um segue o outro no Instagram, marcham e gritam palavras de ordem no meio da rua, postam e repassam pelo whatsapp, brigam e até matam por essas amenidade. E isso pode vira uma bola de neve!

A questão principal aqui é que que nestes casos, essas amenidades exaustivamente debatidas e discutidas são simplesmente besteiras que não acrescentam nada a ninguém. Ou seja, são “nada”!

Mas há muitas pessoas que acham falar ou discutir mais sobre o “nada” talvez o tornasse algo útil ou pudesse chegar a algum lugar!

 

Mas nada é que nem o número zero. Qualquer número multiplicado por zero dá zero, mesmo que esse número seja 1.000.000.000 (um bilhão)!

 

 

 

 

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